O Semeador e o Concurso Público


A parábola do semeador é contada pelo mestre Jesus, quando Ele, tendo saído de casa, em um certo dia, assentou-se junto ao mar; E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo:

“Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.” Mateus cap.13.v. 1-8

E o que é que tem haver esta parábola com concurso público? – Tudo. Muita gente quer ser uma pessoa de sucesso, e para boa parte das pessoas, a conquista de um bom cargo na Administração pública seria uma parte deste sucesso. Porém sabemos que, para que isto aconteça, é necessário, antes, pagarmos um preço, pois nada é de graça.

Para chegarmos ao lugar onde almejamos temos que percorrer um longo caminho e, infelizmente, nem todo mundo está disposto a superar os obstáculos que com certeza encontrará ao percorrê-lo. Na parábola do semeador, Jesus nos apresenta quatro lugares nos quais as sementes caíram, e quero compará-los a quatro tipos de pessoas: Primeiro, Ele fala das que caíram ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na, com os quais eu comparo àquelas pessoas que sequer tentam, não consegue nem pagar a inscrição de um concurso público, ficam ao pé do caminho, vêem os outros caminharem, mas não tem coragem de caminhar, é o tipo de pessoa que a única coisa que faz é dizer que concurso é maracutaia. Segundo, Ele nos conta das sementes que caíram em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. Nesta analogia estão as pessoas que vêem os concursos públicos, sabem que eles existem, contemplam as aprovações dos colegas e com isso a plantinha chega até a nascer, e ao contrário dos que ficam ao pé do caminho, elas decidem caminhar, nesta euforia inicial, ao verem tantos concursos, tantas vagas, salários maravilhosos, elas, talvez pensando que seja fácil, até pensam em fazer concurso, até querem caminhar, mas não têm terra suficiente para deixar esta idéia se enraizar, e aí, quando vem o sol, queima-as, a primeira dificuldade que aparece é motivo suficiente pra desistir, não busca a força necessária para vencer, os motivos que ela tem não são suficientes para fazê-la trilhar até o final. E aí, a idéia até nasceu, mas... logo, logo se foi, secou-se, não existe mais. Depois, Ele cita as que caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.

Aqui, estão aquelas pessoas que, diferentemente dos dois primeiros tipos, não ficam ao pé da estrada vendo os outros fazerem concursos e dizendo que não vai passar porque é maracutaia , nem, também, apenas pensam em fazê-los, mas fazem. Este terceiro tipo de pessoas já podemos até chamá-las de concurseiras, pois elas decidem fazer concurso, entra no curso preparatório, estuda, envolve-se, quase consegue chegar lá, mas as lutas, incertezas, dificuldades, as críticas dos colegas de trabalho, as invejas, a incompreensão da(o) namorada(o), da (o) esposa(o), do pai, da mãe e dos familiares em geral cresceram de tal forma que chegaram a sufocar o seu desejo de passar, as dificuldades cresceram mais do que a sua vontade de passar, por isso que sufocaram, ou seja, as lutas foram maiores. Este foi aquele concurseiro que estudou, a fila das aprovações andou e ele quase chegou lá, quando estava chegando a sua vez, na fila, ele desistiu.

E por último, para nossa felicidade, o mestre nos mostra aquelas sementes que caíram em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Neste último grupo de pessoas estão os verdadeiros concurseiros, aqueles que acreditam, aqueles que não deixam as máfias dos concursos ofuscarem o seu brilho fazendo-os parar, aqueles que decidem onde querem chegar, procuram o caminho que vai levá-los lá e caminham olhado para o alvo, para o final do caminho e não para o que vão encontar no caminho e tem a plena consciência de que o deserto é condição necessária para alcançarmos a tão sonhada Terra Prometida, que mana leite e mel, assim como disse o Dr. William Douglas.

Qual desses tipos de pessoas você se encaixa? Lembre-se:

“Os fracos voltam, os covardes desistem só os fortes vencem e chegam lá.”

Cleybson Ferraz Cascimiro
Concurseiro e estudante da UFRJ