História de Sucesso da Sarah Santos

Olá, em primeiro lugar gostaria de parabenizá-los pelo site e se possível, gostaria de contribuir contando um pouquinho da minha trajetória como concurseira até ser aprovada no concurso para delegada da polícia civil do Estado de Minas Gerais, fato que se deu há aproximadamente quatro anos ( tomei posse em 2013)e prestei o concurso ainda durante a faculdade.

Bom, desde quando ingressei no curso de Direito da Universidade Federal de Ouro Preto já sabia que não queria advogar, desejava trabalhar em um cargo público, pois sempre desejei servir a comunidade e queria ter estabilidade, algo que o setor privado não me proporcionaria.

Confesso que antes mesmo de ingressar na universidade já tinha um "quedinha" por concursos, sendo que já havia sido aprovada na prova escrita para soldado da PM, mas não quis continuar no concurso, pois havia passado no vestibular na mesma época.

Durante a faculdade, no ano de 2009 ( eu estava no segundo ano de Direito) surgiu um edital do TJMG para cadastro reserva, prestei para Comissária da Infância e Juventude com a lotação para Belo Horizonte, fui aprovada, mas fiquei em 26º lugar, acreditava que por ser para BH (cidade grande) iria ser chamada dentro do prazo de validade do concurso, ledo engano, até onde sei tal concurso não chamou nenhum candidato para esse cargo, isso mesmo, nenhum.

Em outro momento surgiu um concurso para trabalhar na própria universidade onde eu estudava, fui aprovada com 90% de aproveitamento, mas mesmo com essa nota não fiquei classificada dentro das vagas ( 10 vagas), fiquei em 60º lugar. Mais para o final da faculdade, eu estava, salvo engano, no sexto período da faculdade, quando surgiu concurso para cadastro reserva do TRF da 1ª região, prestei para analista judiciário (nível superior), tendo sido aprovada, mas ficando em 17º lugar, embora não tenha sido nomeada, fiquei feliz, pois havia sido aprovada para um concurso de nível superior, embora ainda estivesse no sexto período de direito.

Algum tempo depois, quando eu estava no sétimo período, vi na tv que estavam abrindo concurso para Delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, profissão que eu desejava seguir assim que me formasse, pois além de admirar a profissão, sempre fui apaixonada pelo Direito Penal e Processual Penal, bem como Direito Constitucional e Administrativo (matérias muito importantes para esse concurso), no mais, tal cargo, na época, não exigia os três anos de atividades jurídicas e isso significou para mim uma grande oportunidade, e este passou a ser " O Concurso".

Peguei o edital e comecei a estudar as matérias, todo dia, quando não estava na faculdade, estava em casa estudando, não tinha feriado ou fim de semana, era estudar ou estudar mais... rs, ainda mais porque comecei a estudar para esse concurso em específico depois que o edital foi publicado, não tinha tempo a perder, embora inconscientemente os concursos anteriores me deram base em diversos conteúdos, o que me ajudou muuuito.

Quando vi a relação de candidatos inscritos, fiquei assustada (confesso rs), eram aproximadamente 18500 concorrentes e na minha mente, eles deveriam ser mais bem preparados e experientes que eu, que naquele momento ainda era uma estudante universitária.

Bom, continuei a estudar todos os dias até que chegou o dia da prova objetiva, achei a prova difícil, mas para a minha alegria fui aprovada... continuei os estudos especificamente para a prova discursiva, lia a lei seca (que já havia estudado para a primeira etapa) e estudava com mais afinco pela doutrina, também estudei por resumos as matérias mais extensas e no final de cada disciplina eu mesma elaborava questões sobre o assunto e respondia, não fiz nenhum cursinho, pois naquela época minha situação financeira não era das melhores rs.

Chegou o dia da prova discursiva e lembro que enquanto aguardava para entrar na sala, encontrei com um ex-professor, que também aguardava para prestar o concurso, ele veio falar comigo e ficou um tanto abismado com o fato de eu, ainda universitária, estar prestando um concurso para nível superior, chegou a dizer que poderia ser melhor que eu prestasse para escrivã, não levei aquilo a mal, mas no final a aprovada fui eu rsrs, coisas da vida... voltando ao que interessa, achei a prova discursiva bem difícil, mas saí do local de prova com uma sensação boa, que se confirmou com minha aprovação.

Até esse momento, minha família, especificamente minha mãe, estava contando para todo mundo que eu estava fazendo concurso para delegada e aquilo me deixava chateada, pressionada e com medo de não conseguir passar (e todo mundo ficar me perguntando se passei oh, concurseiro sofre muita cobrança rs), pois ainda tinham outras fases... a prova oral costuma ser um pesadelo para muitos concurseiros, ainda mais para os tímidos como eu rs, mas estava determinada a dar o meu melhor e continuei a estudar ponto por ponto do edital e no final de cada matéria fazia perguntas para eu mesma e as respondia, ora na frente do espelho, ora gravando no celular, costumo dizer que essa é a fase mais "louca", que a gente acaba por se pegar falando sozinho rs, pura "fixação da matéria", normal.

Chegou o dia da famigerada prova oral, cada banca de examinadores ficava em uma sala e a prova era gravada em áudio, entrei na sala e os examinadores me pediram para sortear um tema (daí a importância de estudar TODOS os temas do edital, já pensou não estudar e ser sorteado bem no tema que não estudou? Seria o mesmo que jogar no lixo todo o concurso)...

Em seguida, os examinadores faziam perguntas sobre os temas sorteados, alguns examinadores eram mais tranquilos e simpáticos, outros bem fechados e objetivos...

Após eu fazer uma explanação geral sobre o assunto, eram feitas perguntas sobre os temas, eram quatro bancas, sendo que acredito que ao todo as arguições não passaram de uma hora e confesso que saí daquela prova com uma leveza e uma sensação de dever cumprido tão boas, apesar de não ter certeza se o resultado teria sido bom, mas com a sensação de que a prova oral é a mais tranquila do concurso, talvez por já ter àquela altura estudado pelo menos três vezes cada ponto do edital...

Por fim, restei aprovada nesta parte de conhecimentos, mas ainda faltava a parte dos exames médicos, psicológicos, investigação social, teste de aptidão física e acadepol... quando estava treinando para a parte do tap (teste de aptidão física), estava totalmente sedentária e um dos testes era uma corrida de 12 minutos, desesperei e comecei a correr direto e isso acabou ocasionando muita dor em meu calcanhar, fiquei dias sem poder correr e mancava.

Lembro que um dia, enquanto tentava me exercitar, comecei a chorar, talvez aquele tenha sido o momento mais triste da minha preparação e como se isso não bastasse, ainda tinha as matérias da faculdade para terminar e o TCC, sendo que a essa altura eu já estava no nono período de Direito e havia feito um requerimento para antecipar o curso (formar em quatro anos e meio para poder tomar posse)...

Felizmente, meu pé melhorou e contratei uma personal trainer para me ajudar (nada como ter alguém instruído do seu lado para otimizar sua preparação)... para a minha felicidade, consegui treinar bem e tirei de letra o tap, assim como as demais etapas, sendo que o período da Acadepol (última etapa do concurso) também não foi fácil, sendo que durante cerca de três meses tive que morar em BH e tínhamos aulas o dia todo, com apenas uma hora de almoço, momento em que havia aulas de manuseio e emprego de armas de fogo, aulas sobre investigação, Direitos Humanos, educação física, defesa pessoal etc, além de termos que seguir rigorosamente o padrão da Polícia Civil, respeitando valores como hierarquia e disciplina, entre eles, deveríamos levantar toda vez que um delegado chegasse na sala e cantar o hino nacional e o da Polícia Civil.

No final da Acadepol ainda passamos por uma prova final com todo o conteúdo ministrado no curso, momento final, que nos transformava de aspirantes a delegado de polícia a delegado de polícia de fato.

Fiquei muito feliz com a aprovação e sou muito grata a Deus por ela, pois só ele sabe o que passei para chegar até aqui e quero deixar a seguinte mensagem: estudem, batalhem pelos seus sonhos, independentemente do que as outras pessoas possam pensar ou dizer e mesmo nas derrotas saibam que elas ensinam muito e que o conhecimento obtido em cada preparação para concurso, certamente ajuda para o próximo, não deixem para estudar depois que o edital sai, não é saudável, ficamos estressados e sobrecarregado, a aprovação pode vir de uma preparação mais leve, desde que focada e disciplinada;

Escolha no máximo dois concursos por vez, "quem tudo quer, tudo perde", se o concurso que deseja exigir teste físico, vai se preparando antes, entre em uma academia, prepare seu corpo.

Para muitas pessoas é muito fácil dizer, "nossa, fulano é delegado, mas ele acabou de se formar, é muito inteligente", acredito que todos são inteligentes, uns com um pouco mais de facilidade, outros com menos, mas o que realmente faz a diferença é a dedicação e perseverança de cada um, pois só não alcança a sonhada aprovação quem desiste no meio do caminho.

Outro fato que o concurseiro não pode se esquecer é que o certame é apenas o início de tudo e cada profissão tem seus desafios e dificuldades, sendo que é preciso superá-las diuturnamente, especialmente para quem deseja ser delegado, realmente tem que gostar muito, mais do que isso, é preciso muito amor pelo o que se faz, mesmo naqueles momentos aparentemente ruins, que não são poucos.

Hoje, sinto-me feliz e grata a Deus por minha profissão e vejo que valeu à pena ter estudado e abdicado de alguns momentos (não tão importantes como o concurso rs...).

E não pensem que parei por aqui, estou terminando minha pós-graduação e nesse ano de 2017 retornei meus estudos para concursos públicos, ainda não escolhi ao certo para qual carreira, mas estou estudando inicialmente todas as matérias chaves para os concursos MP e Magistratura, ainda estou no começo e hoje tenho que conciliar o intenso trabalho como delegada com os estudos, o que será mais um desafio, afinal, cada um terá a vista da montanha que subir!

Bons estudos a todos e muita Fé em Deus sempre!

Sarah Santos