A Crise do Euro


Tudo indica que a Grécia será o primeiro país a abandonar o EURO. Depois deverá ser seguida pela Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, completando a acrônimo PIIGS.

Os desavisados irão pensar que tudo não passou de um grande erro. Mas não foi assim que tudo aconteceu. O EURO foi engendrado para que algumas pessoas ganhassem muito dinheiro, enquanto muitas perderão fortunas. Os empresários alemães são os maiores defensores e os que mais ganham com o EURO.

Todo bom economista sabe que é impossível fazer UNIÃO MONETÁRIA sem as devidas UNIÕES FISCAIS e POLÍTICAS. Não dá certo. A corda acaba arrebentando pelo lado do mais fraco. Vejamos dois exemplos.

Primeiro, o BRASIL, que para acabar com a hiperinflação, atrelou o REAL ao DÓLAR. Conseguiu vencer a inflação, mas viveu uma CRISE CAMBIAL e se viu obrigado a adotar o CÂMBIO FLUTUANTE a partir de 1999.

O segundo exemplo é a ARGENTINA, com uma CRISE muito mais forte. Colocou na constituição a paridade cambial par detonar a inflação. Mas em 2002, viveu uma GRANDE CRISE CAMBIAL e se viu obrigada, também, a abandonar o CÂMBIO FIXO. Como a crise era muito mais grave do que a do Brasil, impôs ao mundo um CALOTE PARCIAL da sua impagável DÍVIDA EXTERNA.

Mas voltemos ao EURO. Dos 27 países da União Européia, 16 adotaram o EURO como moeda comum. Foram ostensivamente alertados para o erro, principalmente pelo Reino Unido, mas mesmo assim, o fizeram.

O previsto se confirmou. Os estados mais austeros, capitaneados pela Alemanha, aumentaram sua competitividade ao longo dos anos e aumentaram suas exportações. Mas correm o risco de ver seus créditos virarem pó.

Já os países com governos mais populistas, que presentearam seu povo com aumento dos gastos públicos e maiores salários. Olhe para os PIIGS e verá a irresponsabilidade nos gastos públicos e nas impagáveis DÍVIDAS EXTERNAS. Os custos subiram e as exportações perderam competitividade e tudo passou a ser importado. A indústria foi sucateada.

Mas e agora? O que vai acontecer?

Os PIIGS se verão obrigados a abandonar o EURO e dar um CALOTE PARCIAL das suas DÍVIDAS EXTERNAS. A Argentina impôs seu calote, mas os PIIGS terão oportunidade de negociar o CALOTE. Será melhor para todo mundo.

Mas e os empresários alemães?

Os empresários alemães ainda defendem o EURO, quem corre o risco de não receber são os bancos do centro. Quando houver o calote, os bancos vão empurrar o prejuízo para seus governos, que vão repassar para seus contribuintes. Em outras palavras, os empresários criaram um esquema para ganhar dinheiro e empurrar os prejuízos para os contribuintes.

Eles não são o máximo?

É assim que funciona a economia mundial. Enquanto a grande maioria é enganada pela Mídia, os tubarões fazem a festa. As fraudes são amparadas por leis, feitas por políticos a pedido dos empresários, que financiam as campanhas eleitorais.

Quem quiser explorar um pouco mais o tema, sugiro as seguintes leituras:
1) A ECONOMIA DAS FRAUDES INOCENTES - JOHN KENNETH GALBRAITH
2) CONFISSÕES DE UM ASSASSINO ECONÔMICO - John Perkins
3) A ECONOMIA DAS CRISES - Nouriel Roubini
4) O MUNDO EM QUEDA LIVRE – Joseph E. Stiglitz
5) E o meu site: http://sites.google.com/site/umbrasildeoportunidades/


SapoiaSobre o Autor

PAULO CÉSAR PEREIRA (SAPOIA) - Engenheiro Civil, aprovado em 26 concursos, autor do site da TÉCNICA DO CHUTE, já teve mais de 4 milhões de visitas no YouTube. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.