A Crise Política no Mundo Mulçumano


Assim como o judaísmo e o cristianismo, o Islamismo se configura como uma das três maiores religiões do mundo e originou o mundo mulçumano, um verdadeiro acervo cultural que criou um modo de vida próprio e se expandiu por diversas nações do Oriente Médio, Sudeste da Europa, Ásia meridional, e Norte da África.

Esse modo de vida mulçumano que tem como pilar central a religião slâmica acabou por criar um modelo político nos países de maioria mulçumana. É muito comum, nesses países a mistura entre política e religião criando sistemas políticos com pouca ou nenhuma participação democrática. Esses valores políticos são bem diferentes dos valores defendidos pela cultura ocidental, que vêem a democracia como um instrumento fundamental.

A globalização vivida na atualidade se caracteriza principalmente pelo maior fluxo de informações. A internet, a televisão a cabo e a telefonia móvel como instrumentos da globalização, acabou por difundir a importância dos valores políticos ocidentais incluindo a participação democrática na escolha dos governantes. Nesse processo, as redes sócias da internet e a informação “on-line” possibilitaram o debate político e a organização de grupos contrários a manutenção dos sistemas políticos autoritários.

A crise política do mundo mulçumano é sem dúvida um momento histórico e será um marco na vida política dessa região, hoje a onda revolucionária mobiliza pessoas em todo mundo mulçumano.

Esses países que hoje enfrentam protestos vivem características socioeconômicas bastantes semelhantes. São povos com grande desigualdades sociais, com dificuldades econômicas, com altos índices de desemprego que atingem principalmente os mais jovens, vivem ditaduras políticas de vários anos, não exercem planamente a democracia, sofrem com rígidos sistemas de censura e são vítimas constantes de corrupção política. As primeiras manifestações ocorreram em meados de 2010, no processo eleitoral de sucessão presidencial do Irã, quando presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito sob condições suspeitas de fraude eleitoral. Após o resultado, a oposição política organizou movimentos de protestos que foram violentamente reprimidos, inclusive com censura á imprensa e aos sites na internet. No Irã, apesar de haver eleições para presidente, o país vive uma espécie de teocracia slâmica.

Depois do Irã foi a Tunísia, em 17 de dezembro de 2010, Mohames Bouazizi, um jovem desempregado ateou fogo ao próprio corpo em um ato de desespero depois que fora proibido de vender legumes na cidade de Sidi Bouzid. O gesto acabou desencadeando uma onde de protestos pelo país. Depois de algumas semanas o presidente Zine Abidine Bem Ali renunciou em janeiro de 2011.

No final de janeiro de 2011 o Egito foi palco de uma intensa mobilização popular que pediu a saída do então presidente Hosni Brack, no poder desde 1981. O país vive um período de muitas dificuldades econômicas aliado a uma intensa inflação que atinge principalmente os alimentos, além disso o governo de Mubarack foi alvo de acusações de corrupção. Utilizando as redes sociais da internet, a população se mobilizou contra o regime ditatorial. Depois de 18 dias de intensos protestos na Praça Tahrih na cidade do Cairo, a chamada Revolução do Nilo fez com que Hosni Mubarack renunciasse em fevereiro de 2011.

No Iêmem, o país mais pobre do mundo árabe, apesar de o presidente informar que não irá mais permanecer no poder após as próximas eleições, os protestos continuam com muita violência entre os partidários do governo e os opositores.

No Bahrein os confrontos políticos giram em torno da divisão religiosa mulçumana entre Xiitas e Sunitas. O sistema monárquico tem como rei o sunita Hamad, que em seu governo é acusado de discriminar os xiitas e de restringir a participação popular. Apesar de se manter no poder, o rei Hamad promete reformas políticas e sócias no país.

No Marrocos os problemas sociais e econômicos aliados a alta do preço dos alimentos desencadearam protestos sociais e greves inclusive com participação do setor público. Os opositores ao regime acusam o rei Mohammed 6º de corrupção e censura política. Em abril de 2011 o país foi vítima de um atentado terrorista em área turística de Marrakesh matando 16 pessoas.

Na Jordânia assim como na Argélia, o principal motivo dos protestos sociais estão ligados a alta do preço dos alimentos. Na Jordânia, o rei Abdulah 2ª demitiu o primeiro ministro Samir Rifai e nomeou um novo gabinete de ministros com objetivo de executar imediatamente reformas sociais e políticas no país.

Na Líbia, o regime ditatorial de Muamar Khadafi já dura 42 anos. A população vive com um regime político excêntrico do ditador e com pouca liberdade de expressão. Na Líbia os protestos evoluíram para um conflito armado, onde a oposição se concentra em Benghazi, segunda maior cidade do país, enquanto o governo ainda mantém o controle da maior parte do país

As tropas opositoras, baseadas em Benghazi, chegaram a conquistar boa parte do leste do país. Entretanto, o governo, mais bem armado e em maior número, iniciou uma forte e rápida contraofensiva e fez com que os rebeldes recuassem de volta ao leste. A guerra civil vivida atualmente na Líbia pode dividir o país em várias partes, já que o mesmo é compostos pela junção de antigas tribos.

Em Março de 2011, forças militares dos EUA, França, Grã Bretanha, Itália e Canadá, comandadas pela OTAN, iniciaram um ataque aéreo contra as forças militares de Khadafi. O ataque, que tem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, tem por objetivo evitar que Khadafi promova uma ofensiva militar contra os opositores políticos em Benghazi.

A operação militar, conhecida como Alvorada da Odisséia, já desmobilizou boa parte das forças armadas da Líbia eliminando principalmente a força aérea. Em abril de 2011 um ataque aéreo coordenado pela OTAN atingiu o complexo residencial do governo em Trípoli matando um dos filhos de Khadafi.

A intenção da OTAN é manter a pressão sobre Trípoli enquanto Kadafi continuar no poder, como avançaram nesta sexta-feira em artigo conjunto entre os líderes da França, Estados Unidos e Reino Unido. A situação na Líbia é incerta, pois ao contrário dos demais países, existe uma guerra civil em curso que pode durar muito tempo ou mesmo dividir o país.

urados economicamente, como Inglaterra, e Alemanha a procurar alternativas de ajuda econômica aos países do PIIGS.

Márcio VasconcelosSobre o Autor

Prof. Marcio Vasconcelos - Autor do livro Conhecimentos Gerais e Atualidades, da Editora Ferreira, é licenciado e bacharelado em História pela Universidade Gama Filho e pós-graduado em Administração Escolar pela Universidade Cândido Mendes.