A queda do muro de Berlim e as conseqüências no mundo atual


Após o término da 2ª Guerra Mundial, em 1945, os aliados, que se uniram para combater as forças nazi-fascistas, estabeleceram suas contradições políticas ideológicas que balizaram a divisão do mundo até a última década do século XX. Em 1947, teve início a Guerra fria que constituiu sumariamente no antagonismo de dois grandes blocos geopolíticos: o capitalista e o comunista, liderados pelos Estados Unidos e pela União soviética, respectivamente. A nova geopolítica mundial pós-guerra caracterizou-se pela ascensão de duas superpotências mundiais, pelo declínio da Europa e pela descolonização da Ásia e da África. Dessa forma, o mundo se viu dividido num sistema político ideológico bipolarizado, onde a ameaça de uma 3ª grande guerra foi constante.

A Guerra Fria, disputa entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) pela expansão das suas áreas de influencia mundial, direcionou todo o contexto das relações internacionais no período que vai desde os primeiros anos após o término da 2ª Guerra mundial até a última década do século passado. Episódios como: a Guerra da Coréia (1950-1953), a Revolução Cubana (1956-1959), a Guerra do Vietnã (1959-1975), o Muro de Berlim (1961) e a Guerra do Afeganistão (1979) foram apenas alguns pontos da Guerra fria. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), organização militar formada em 1949 por países capitalistas criada no início da guerra fria para combater os países comunistas numa possível guerra, e o Pacto de Varsóvia (1955), organização militar composta pelos países do bloco comunista, constituiu também como elementos desse contexto alimentado pela corrida armamentista nuclear e pela corrida espacial.

Em 1945, o Acordo de Potsdan dividiu a Alemanha em quatro áreas controladas pelas principais potências aliadas vencedores da 2ª Guerra Mundial: Zona Britânica, Zona Francesa Zona Americana e Zona Soviética. A cidade de Berlim também foi dividida da mesma forma, porém esta encontrava-se situada em território da República Democrática Alemã, sob influência socialista. Em 1948 foi estipulado pela URSS um bloqueio rodoviário e ferroviário as áreas administradas pelos países capitalistas na cidade de Berlim, esse evento conhecido como a “Crise de Berlim” desencadeou um momento de tensão entre EUA e URSS.

Após a ocupação e a dominação soviética na área da Alemanha Oriental, iniciou-se um movimento migratório crescente dos cidadãos alemães do lado comunista para o lado capitalista, esse movimento migratório foi mais visível especialmente na cidade de Berlim. Entre 1945 e 1961, foram registradas aproximadamente 2 mil fugas diárias entre as partes Oriental e Ocidental da Cidade. Por isso na madrugada de 13 de agosto de 1961 tropas fecharam as vias de trânsito a Berlim Ocidental e imediatamente iniciaram a construção do muro de Berlim, que com 155 Km de extensão, isolou a parte ocidental da cidade.

O muro de Berlim foi durante a sua existência um símbolo por excelência de todo o contexto mundial vivido na Guerra Fria, simbolizou o antagonismo político ideológico entre EUA e URSS que direcionou um mundo bipolarizado.

Estados Unidos e União Soviética iniciaram um processo de extensão de suas áreas de influências pelo planeta acompanhado de uma corrida armamentista nuclear e de uma corrida tecnológica espacial. Havia também uma preocupação constante em mostrar um modo de vida superior de cada lado e por isso houve uma intensa propaganda de ambas as partes que envolveram até mesmo as competições olímpicas.

Nos anos subseqüentes a construção do muro de Berlim, o que se pode perceber é que a guerra fria ultrapassou os limites da Europa, ganhou outros continentes na forma de conflitos armados, revoltas internas e golpes de estado. A ONU tornou-se inoperante e envolvida na estrutura bipolar vigente, fato visível principalmente no ineficiente Conselho de Segurança.

Após 28 anos de existência, em 09 de novembro de 1989, o mundo assistiu estarrecido ao fim da divisão de uma cidade e a unificação da Alemanha, foi o início do fim da Guerra Fria que culminou em 1991 com a fragmentação da URSS. Desde o início da década de 80 a URSS já havia mostrado que não iria suportar o ritmo de competitividade imposto pelos EUA. A corrida espacial, os altos custos com a guerra no Afeganistão e com a manutenção do aparato militar soviético aliado aos problemas econômicos ligados a produção de petróleo e a agricultura levaram a URSS a desaparecer em 1991, pondo fim ao bloco comunista conseqüentemente a Guerra Fria. A crise estrutural vivida na década de 80 pela URSS foi tão profunda que mesmo colocando em prática políticas governamentais arrojadas de modernização da economia soviética (Perestróica e Glasnost), Mikhail Gorbatchov não consegui evitar o fim da URSS em 1991.

No mundo atual, pós guerra fria, o cenário internacional tem como principal característica o avanço do processo de globalização em diversos níveis da vida cotidiana, como: na política, na economia, na cultura e na sociedade. O neoliberalismo representa uma nova fase do sistema capitalista que, com base na ideologia liberalista, atende às necessidades do mercado internacional no acirramento do sistema, traduzido basicamente na necessidade de abertura de novos mercados consumidores, redução de custos trabalhistas e diminuição do papel do Estado como regulador das relações sociais de trabalho e de mercado.

A ideologia neoliberalista impõe-se hoje, no contexto internacional, de acordo com os interesses dos grandes grupos econômicos do mundo, propondo reformas estruturais como: privatizações de estatais, abertura do mercado, derrubada de barreiras alfandegárias, dependência ao capital externo especulativo e defesa da teoria do estado mínimo.

Pode-se dizer que a globalização atua como instrumento do capitalismo neoliberalista com objetivo de promover a integração econômica e política em âmbito global. No aspecto político-econômico, a globalização direciona-se para uma integração política regional e uma interdependência econômica, traduzida na formação de blocos econômicos para fins comerciais.

Com a abertura de mercado, circulação de informações e a formação dos blocos econômicos, a globalização acabou aproximando os povos e conseqüentemente aumentando a importância das relações internacionais na vida cotidiana de cada um. Em nível de governo, atualmente, a globalização faz com que as ações de política externa afetem diretamente a política interna e vice-versa, de modo que a linha que as separam seja quase imperceptível.

A queda do muro de Berlim, que completou 20 anos em 09 de novembro de 2009, simbolizou o início de uma nova era, não só para a Alemanha unificada e mais forte, mas também para todo o mundo. O continente europeu, por exemplo, a partir da década seguinte passou a apostar todas as suas fichas em um ousado projeto de integração regional conhecido como União Européia. A queda do muro abriu caminho para o fim da cortina de ferro imposta pela URSS e fez nascer um sentimento europeu acima das nacionalidades, conseqüentemente fez nascer também uma Europa mais unida, competitiva e consciente de que juntos são mais fortes.

Além disso, a queda do muro de Berlim mostrou que havia um novo direcionamento econômico e político se desenhando no mundo pós-guerra fria. Na economia - o neoliberalismo, que impôs novas regras para a economia mundial e redirecionou as funções dos estados nacionais com a teoria do estado mínimo e com a abertura de mercados. Na política - o multilateralismo tomou lugar do sistema bipolarizado, com o advento das potências médias regionais e dos blocos econômicos, o mundo vive atualmente um complexo sistema de relações no novo jogo do poder.

Prof. Marcio Vasconcelos
Autor do Livro: Conhecimentos Gerais e Atualidades
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