Biodiesel


Desde o fim da Guerra Fria, no final da década de 80, o neoliberalismo e a globalização tornam-se cada vez mais presentes como direcionadores políticos econômicos e sociais do planeta. é a nova face do sistema de produção capitalista que exige mais competitividade, mais interdependência de mercados e conseqüentemente maior produtividade, demandando assim mais recursos energéticos e a utilização de combustíveis fósseis.

Apesar do esforço tecnológico da comunidade científica nas últimas décadas em encontrar fontes alternativas de combustíveis, o petróleo continua a ser a principal fonte de energia do mundo. De acordo com a divulgação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), feita na última reunião em Viena encerrada no dia 10 Set 2008, a atual produção mundial de petróleo está em aproximadamente 28 milhões de barris diários, atingindo assim o nível mais alto dos últimos 25 anos. Ou seja, a OPEP vem acelerando gradativamente sua produção de acordo com a necessidade de consumo mundial. Os Estados Unidos lideram o consumo mundial, com 25% do petróleo produzido, sendo que deste, apenas 40% são provenientes de reservas norte-americanas internas.

Porém, como fonte de recurso não renovável, as perspectivas de produção e de consumo de combustíveis fósseis tornam-se alarmantes, estando o mundo bem perto de um colapso de produção. Ou seja, a crescente demanda de consumo de petróleo exigido pelos mercados mundiais faz com que os diagnósticos futuros sejam cada vez mais pessimistas em relação às reservas de petróleo.

O crescimento acelerado do mundo neoliberalista aliado as constantes instabilidades políticas no Oriente Médio, estão direcionando os governos mundiais a buscarem outras alternativas de fontes energéticas.

Outro ponto crucial na questão energética é o impacto ambiental causado pela queima de combustíveis fósseis no mundo. O aquecimento global registrado pela comunidade científica está ligado diretamente ao fenômeno pelo qual a atmosfera aumenta sua capacidade de reter o calor irradiado da superfície terrestre. O sistema de produção vigente faz com que sejam lançados milhões de toneladas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera terrestre, causando assim o conhecido efeito estufa.

No início de 2005, a Agência Espacial Norte-americana (NASA) divulgou o resultado de um estudo que constatou um aumento de temperatura de 0,43° C na média global da última década. Esse aumento de temperatura causado pela queima de combustíveis derivados do petróleo vem modificando gradativamente o sensível ecossistema global. O aumento da intensidade e da quantidade de furacões na Flórida, o constante aumento de temperatura dos verões europeus, o surgimento de furacões no sul do Brasil, os períodos de seca mais fortes na Amazônia e o aumento do nível do mar em todo o mundo são apenas alguns dos efeitos causados pelo aquecimento global.

Com isso, o mundo hoje observa a utilização do biodiesel como a melhor alternativa de substituição dos combustíveis fósseis. O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes energéticas renováveis, que pode ser extraído de diversas formas, sendo várias as espécies vegetais existentes no mundo, como: a soja, o babaçu, a palma, o girassol, o amendoim, a mamona entre outros.

O biodiesel pode substituir totalmente ou parcialmente o uso dos combustíveis derivados do petróleo em motores de combustão interna adaptados automotivos ou estacionários. A mistura com petróleo pode variar de 2% a quase totalidade do consumo de um motor. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2, podendo essa escala chegar até a totalidade, denominado B100.

A produção do biodiesel já é utilizada comercialmente nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia e no Brasil. Na Europa, a Alemanha se destaca como maior produtora de biodiesel e responsável por 50% da produção da União Européia, inclusive comercializando o combustível puro (B100) para automóveis. Na União Européia, já são 1 bilhão de litros de biodiesel produzidos anualmente. O parlamento europeu estipulou meta de consumo de 2% de biodiesel do total de combustíveis consumidos até 2005 em todos os países da comunidade européia, em 2010, esse percentual deverá subir para 5,75%.

Na Ásia, a Malásia e a Indonésia, maiores exportadores mundiais de óleo de palma, já destinam 40% do cultivo para a produção de biodiesel. As estimativas mostram que ambos produzirão cerca de 12 milhões de toneladas em 2006 provenientes da palma. A China, que consome 70 milhões de toneladas de diesel por ano, já planeja a construção de 100 usinas de produção usando a soja e a canola. Em julho de 2002 a estatal China National Off Shore Oil Corp (CNOOC) anunciou que planeja, a médio prazo, construir uma unidade de biodiesel na Malásia, aproveitando assim a produção da palma. O grupo japonês Itochu Corp e as petroleiras Malaia Petroliam Nasio BHD e Wilman Corp, de Cingapura, também planejam investir na produção de combustível de palma da Malásia.

O Brasil já desenvolve pesquisas científicas sobre o biodiesel há quase 50 anos, tendo registrado sua primeira patente sobre produção em 1980. O governo federal lançou o Programa Nacional de Produção e uso de Biodiesel (PNPB), esse programa interministerial tem como objetivo a implementação, de forma sustentável, de um projeto de produção e uso do biodiesel, procurando o desenvolvimento econômico e a geração de empregos. A idéia é aproveitar as condições naturais do país e produzi-lo a partir de diferentes fontes oleaginosas nas diversas regiões.

O PNPB foi implantado em 2003, mas só em 2004 foram estabelecidas as condições legais para introdução do biodiesel na matriz energética brasileira de combustíveis líquidos. As regras estabelecidas permitem a participação tanto do agronegócio como da agricultura familiar a partir de diferentes fontes de produção.

De acordo com os dados do Ministério das Minas e Energia, o Brasil, em pouco tempo, será um dos maiores produtores de biodiesel do mundo, capaz de suprir tanto o mercado interno quanto o internacional, exportando-o já pronto para o consumo.

O Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia planeja conseguir misturar, já em 2008, 2% do biodiesel (B2) a todo óleo diesel comercializado no Brasil para o consumo interno, esse percentual subirá para 5% (B5) em 2013. De acordo com o departamento, hoje existem cerca de 2 mil postos no país vendendo o B2.

A Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, já adiantou que existem planos para antecipar a segunda parte da meta de 5% de 2013, porém sem uma data ainda definida. Outros setores como a Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirmam que existe a possibilidade de antecipar o programa desde que se evite os erros do pró-álcool, desenvolvido na segunda metade da década de 70.

Sendo assim, o Biodiesel pode representar uma excelente oportunidade para o Brasil explorar uma fonte energética renovável, aproveitando as condições naturais do país e a necessidade mundial de novas alternativas energéticas, promovendo assim a inclusão social com a geração de empregos e a inserção do país no mercado internacional numa área em expansão e de fundamental importância que é o setor energético.

Porém é importante observar que, a produção em larga escala de biocombustível pode causar impactos ambientais tão nocivos quanto o uso de combustíveis fósseis. Em visita recente ao Brasil, Achin Steiner, diretor chefe do programa da ONU para o meio ambiente, revelou a preocupação em relação a produção de combustíveis alternativos em larga escala, como o etanol (álcool). Ou seja, Steiner quis mostrar até que ponto existe sustentabilidade ambiental desses combustíveis.

A questão é analisar como implementar projetos de produção em larga escala, sem que estes atinjam regiões de florestas nativas. No Brasil, a produção de soja, por exemplo, já causa danos ambientais nas regiões periféricas da floresta amazônica como no norte do Estado do Mato Grosso e no oeste dos Estados do Tocantins e Maranhão, provocando assim queimadas para o avanço das plantações de soja.

O desafio para os próximos anos é; além de substituir gradativamente o sistema energético vigente, baseado na queima de combustíveis fósseis, pelo biocombustível; procurar um meio de produzir esses combustíveis sem que haja desmatamento ou outro tipo de agressão ao meio ambiente.

Prof. Marcio Vasconcelos
Autor do Livro: Conhecimentos Gerais e Atualidades
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