União das Nações Sul Americanas - UNASUL


A idéia de se criar um novo bloco econômico na América Latina englobando países membros do MERCOSUL e da Comunidade Andina surgiu em 2000, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso em uma reunião, realizada em Brasília, entre presidentes dos países dos blocos econômicos da região. O objetivo inicial era ampliar as relações regionais, aprofundar a integração energética, de transportes e de telecomunicações.

Em 2004, foi apresentado oficialmente o projeto de criação da Comunidade Sul Americana de Nações, que teve o nome modificado para União das Nações Sul Americanas (UNASUL), em 2007, na Reunião Energética da América do Sul, realizada na Venezuela.

Em 23 de maio de 2008, os presidentes e representantes de governo de 12 países assinaram em Brasília, o tratado de criação da UNASUL. No tratado foram estipulados os principais objetivos da organização que consistem, além do aprofundamento das relações regionais, a coordenação política, econômica e social do continente Sul Americano. Desse modo, espera-se também avanços em projetos conjuntos nas áreas de ciências e educação, assim como de mecanismos financeiros comuns. Na área comercial, projeta-se a criação de um mercado comum a partir de 2014. Ficou estipulado também que a UNASUL terá um sistema de presidência temporária e rotativa entre os países participantes. Além de órgãos deliberativos como: um conselho de chefes de estado, um conselho de ministros de relações exteriores e um conselho de delegados.

Além disso, segue também a proposta de criação do Conselho de Defesa da América do Sul, formulando assim uma política de defesa comum aos países membros com a função de ampliar a comunicação e a colaboração entre as forças armadas do continente.

A partir do tratado de criação assinado em Brasília, a UNASUL passa a ser, de fato, um organismo internacional com personalidade política própria, dependendo agora apenas da ratificação pelos parlamentos dos países que compõem a UNASUL.

De acordo com dados divulgados pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) o novo bloco nasce com um mercado interno composto de aproximadamente 366 milhões de habitantes distribuídos em uma área de 17.715.335 quilômetros quadrados e um PIB de US$ 4,2 trilhões.

Porém a UNASUL já nasce com enormes desafios a serem superados. Primeiro pela visível assimetria econômica existente, que já é um problema entre os países do MERCOSUL. Depois pelos diversos problemas políticos que envolvem alguns países da América do Sul. Como as questões territoriais entre Chile, Bolívia e Peru, que se arrastam desde o fim do Séc XIX, após a Guerra do Pacífico (1879 – 1881).

As questões energéticas também estão na pauta de problemas, como as que envolvem Brasil e Bolívia referente às nacionalizações executadas recentemente pelo governo de Evo Morales e o a alta de preços por parte da Bolívia no fornecimento de gás. Assim como Brasil e Paraguai na questão dos preços da energia vendida pelo Paraguai na hidrelétrica de Itaipu.

Existem também questões políticas sensíveis como a situação atual das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que envolvem, além da Colômbia, o Equador e a Venezuela. Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, divulgou que a mesma tem sérias restrições ao futuro conselho de defesa devido ao posicionamento de alguns países em relação as FARC, que não os classificam como grupo terrorista.

Prof. Marcio Vasconcelos
Autor do Livro: Conhecimentos Gerais e Atualidades
www.atualidadesconcursos.com.br