A Revolução de 1930

Durante os anos 20, a produção industrial e agrícola dos Estados Unidos ampliara-se progressivamente, sem que houvesse, contudo, o mesmo aumento de consumo, pois o poder aquisitivo da população não acompanhou o crescimento da produção e oferta de mercadorias, resul­tando numa crise de superprodução. Em outubro de 1929, teve início internamente a quebradeira de empresas, des­dobrando-se em desemprego e no corte às importações e empréstimos internacionais.

Sendo a principal alavanca do comércio internacional, quando a economia norte-americana entrou em crise, irra­diou-se a desorganização econômica por quase todo o mundo, gerando falência e desemprego.

A crise de 1929 foi um desastre para a economia bra­sileira já que os Estados Unidos eram o principal compra­dor de café e financiador da produção cafeeira. Além de diminuir a aquisição dos produtos, a crise fez com que o preço despencasse no mercado externo e também blo­queou a disponibilidade de capitais para manter a política de empréstimos ao Brasil. Tornava-se inviável a tradicio­nal política de valorização do café.

À crise econômica aliava-se a crise política.

O problema criado pela sucessão presidencial, até então dividida entre São Paulo e Minas Gerais, desenca­deou o fim do regime.

Pela "política do café-com-leite", o futuro Presidente seria mineiro, pois Washington Luís representava os paulistas. No entanto, quebrando esse pacto, Washing­ton Luís demonstrava clara intenção de lançar para sua sucessão Júlio Prestes, outro paulista.

Os mineiros não aceitavam que os paulistas manti­vessem o comando político brasileiro. Antônio Carlos de Andrade, governador de Minas Gerais e candidato à su­cessão presidencial, abriu mão de sua candidatura e orga­nizou uma chapa de oposição, apoiando para presidente o governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, e para vice-presidente o paraibano João Pessoa. Formava-se a Aliança Liberal, que reunia as oligarquias de Minas Ge­rais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Juntou-se à Aliança o Partido Democrático (PD), formado por dissidentes do Partido Republicano Paulista (PRP).

O programa da Aliança Liberal refletia as aspirações das classes dominantes regionais, não ligadas ao núcleo cafeeiro. Incorporava, ainda, reivindicações como a regu­lamentação das leis do trabalho, a instituição do voto se­creto e do voto feminino, a anistia que beneficiaria os tenentistas condenados, programa que tentava claramen­te sensibilizar as classes médias. Prometia também dar in­centivos à produção nacional em geral e não apenas ao setor cafeeiro.

Nas eleições, repetiram-se as ocorrências de fraudes. Com base nas fraudes e no voto de cabresto, a vitória foi de Júlio Prestes.

Apesar de a oposição aceitar, num primeiro momen­to, o resultado das eleições, o descontentamento popular chegou a tal ponto que escapou ao controle oligárquico. O assassinato de João Pessoa, provocado por conflitos locais na Paraíba, foi atribuído ao Governo Federal e preci­pitou os acontecimentos que destituíram a elite cafeicultora do poder político.

Assim, a 3 de outubro de 1930, em Porto Alegre, teve início a revolução que depôs a oligarquia. Getúlio Vargas e aliados iniciaram a marcha para o Rio de Janeiro. No Nordeste, o militar Juarez Távora conseguiu o controle sobre as tropas da região.

Diante dos acontecimentos, a Marinha e o Exército depuseram, no Rio de Janeiro, o presidente Washington Luís e organizaram um novo Governo, denominado Junta Pacificadora, o qual era composto por Tasso Fragoso,

Mena Barreto e Isaías de Noronha. A 3 de novembro, esse Governo entregou o poder ao líder do movimento revolu­cionário, Getúlio Vargas, constituindo-se então um Go­verno Provisório.