Por que português é difícil?


Faça, a você mesmo, esta pergunta. Procure uma resposta.

Afinal de contas, não é a língua que nós falamos desde crianças?

Perdão, se houver algum “abrasileirado” lendo este texto.

Mas é a nossa língua materna, a língua oficial de nossa nação, a língua em que é aplicada o próprio concurso público, meu Deus! Por que nós erramos questões de uma matéria que estudamos, na prática, desde os 6 meses de idade?

Bom, vou tentar explicar.

Justamente pelo fato de ela ser a nossa língua materna, a língua oficial de nossa nação, a língua em que é aplicada o próprio concurso público. Quer ver? Faça um teste. Coloque o seu dedo paralelo ao seu rosto a uma distância de 10cm ou menos. Aparecem dois dedos, não é? Agora tente focalizá-lo, vesgando os olhos. É difícil perceber os detalhes mais finos, como, por exemplo, as digitais. Mas não se assuste. O olho humano adulto possui um ponto focalizador a partir dos 25cm de distância. Em crianças, uns 15cm. É normal que, se o olho não for treinado para isso, ele não consiga focalizar aquilo que está literalmente debaixo do seu nariz.

É mais ou menos assim com a língua portuguesa. Ela nasceu conosco, convive conosco, faz parte do nosso dia-a-dia. Está debaixo do nosso nariz. Por isso, não conseguimos perceber os detalhes dela, as minúcias, as pegadinhas. Que é o que cai nos concursos públicos.

Quantas vezes, dentro do carro ou do ônibus, indo ou voltando do trabalho, você já se pegou analisando a frase de um outdoor, as propagandas no vidro traseiro dos ônibus, nos panfletos entregues nas ruas? Você entende o que está escrito porque está em português, assim como você sabia que era o seu dedo na frente do seu olho. Mas não consegue perceber a falta de uma vírgula, de um acento, de uma crase, de uma concordância. Entender um texto é diferente de compreendê-lo.

(Pausa: já pensou para quê existem sinônimos? Não era mais fácil existir uma palavra para cada coisa e pronto? Pense nisso.)

O português representa para nós os “dois dedos”: há um português que corre por aí, falado, vivo, mutável; e um outro português escrito, pétreo, normativo. Não há meios de se juntar um com o outro. Os “dois dedos” não conseguiram se sobrepor, lembra? Pois é, por mais que se tente, não se escreve do jeito que se fala. E mais, como o que se cobra nos concursos públicos é a língua oficial, a língua que se deve escrever e tentar falar, geralmente a resposta não é aquela que está debaixo do nosso nariz, a menos que tenhamos olhos treinados.

O que eu gostaria, com este texto, é alertar você. Cuide bem deste lindo patrimônio que é a nossa língua portuguesa. Procure conhecê-la não pelo fato de ser requerido em uma prova, mas porque ela é sua identidade coletiva. Se for escrever, que seja um e-mail, uma mensagem no MSN, um post num blog, policie-se, veja se escreveu direito, releia o que escreveu. Olhe para a sua língua com certo distanciamento. Corrija-se, como se fosse o seu próprio professor. Com calma.

É uma excelente de maneira de se adquirir velocidade em redação e interpretação de texto.

Até a próxima.

Cristiano A. de Oliveira