Entrevista Com o Sapoia Sobre o Futuro dos Concursos e da Economia do Brasil


Tudo Sobre Concursos:
O governo anunciou no início do ano que os concursos públicos federais serão suspensos por um ano em virtude de um pacote de redução de gastos de 50 bilhões no orçamento de 2011. Primeiramente, o que você acha dessa medida para a economia do país?

R: No ano eleitoral de 2010, o governo deixou a festa correr, o consumo aumentou além da conta e o PIB cresceu 7,5%, acima de seu potencial (em torno de 4,5%). Com era de esperar, a inflação subiu, inflada, também, pelo BOOM mundial das commodities. Para combater a inflação, o governo aplicou um FREIO DE ARRUMAÇÃO. Mas está tudo bem e a inflação já está caindo.


Tudo Sobre Concursos: Sobre o fato dos concursos públicos estarem envolvidos nesse corte de gastos, é necessário e importante? E o que deve acontecer de fato, o Governo conseguirá frear essas contratações, ou os concurseiros podem manter as esperanças?

R: Para conter a inflação, o governo subiu a SELIC, adotou medidas macroprudenciais e diminuiu o ritmo do crescimento dos gastos. É justamente a combinação de todos os fatores que nos dá a certeza de que a inflação será vencida. “Uma andorinha não faz verão”. Lentamente, as coisas voltarão ao normal e os concurseiros voltarão a ser contratados.


Tudo Sobre Concursos: Você acredita que essa paralisação ou diminuição nas contratações de servidores pelo poder executivo federal pode gerar um retrocesso em obras e serviços públicos essenciais a população como defende o Dr. William Douglas? Qual o impacto que pode gerar na economia como um todo?

R: É assim mesmo. A economia nos ensina a lidar com a escassez. Nós não podemos comprar tudo o que desejamos. O governo, também, não pode oferecer um serviço além de suas posses, sob pena de comprometer o futuro. Vai seguir Maquiavel: fazer a maldade no primeiro ano e a bondade nos outros três de seu mandato.


Tudo Sobre Concursos: Há uma controvérsia no que diz respeito ao número ideal de servidores públicos no Brasil, alguns especialistas dizem que o funcionalismo público brasileiro está inchado, no entanto, outros dizem que países desenvolvidos da Europa possuem um número muito maior de servidores (para cada mil habitantes) mantendo a economia controlada e ainda oferecendo serviços públicos de qualidade. Qual a sua posição? Onde estamos errando, se é que estamos?

R: A crise de 1929 provou que o capitalismo não funciona. Em 1989, a queda do Muro de Berlin provou que o comunismo não funciona. A crise de 2008/2009 voltou a nos lembrar que o liberalismo é um grande erro. Caiu o consenso de Washington e nasceu o consenso de PEQUIM. Agora, somos todos pragmáticos. Não mais interessa a cor do gato, o importante é que ele cace os ratos. A CHINA nos dá o rumo. É importante um estado forte e algumas estatais em setores estratégicos, mas a iniciativa privada também deve ser fortalecida. Não tomemos a EUROPA por guia. Instituíram lá uma UNIÃO MONETÁRIA sem a devida União Fiscal e Política. O EURO está se desintegrando e a UNIÃO EUROPÉRIA vai viver uma grande crise por um 20 ou 30 anos. Mais importante que o número de servidores, é sua eficiência. É importante que justifiquem sua existência com bons serviços prestados à sociedade brasileira com custos não muito altos.


Tudo Sobre Concursos: Ainda outra sobre essa questão, outra polêmica, que assusta muitos servidores e concurseiros é com relação à terceirização de serviços públicos, temos uma frente política que defende veemente esse lado e outra frente que preconiza o lado oposto. Qual a melhor solução, terceirização ou estatização? E qual é a tendência no Brasil e no Mundo?

R: A tendência é o pragmatismo. O Brasil errou feio ao privatizar a Vale, mas acertou na telefonia. Petróleo e Minério de Ferro são produtos estratégicos e deveriam ser explorados por estatais. Já a telefonia se mostrou eficiente em mãos de empresas privadas. Além do mais, o governo ainda as ameaça com o renascimento da TELEBRÁS. Já o Minério de Ferro foi concedido à Vale e o governo não pode abrir uma empresa para explorá-lo. A terceirização é justificável para serviços fora do foco da empresa. Num banco estatal, por exemplo, é natural a terceirização dos serviços de vigilância. Mas não podemos terceirizar a prestação de serviços bancários.


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Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas prestarão concurso em 2011, e esse número vem crescendo a cada ano. Como você explica essa valorização que o concurso público obteve nos últimos anos? A que se deve? A iniciativa privada não está valendo mais a pena ou a carreira pública melhorou?

R: O setor público ainda é bem melhor, mas a iniciativa privada já começou a melhorar seus salários para atrair mão de obra qualificada. As pessoas estudadas serão disputadas de agora em diante. A taxa de desemprego já caiu e faltará mão de obra no Brasil. Problema para os patrões, solução para os trabalhadores, que verão seus salários aumentarem significativamente.


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Com toda essa procura surgiu um novo nicho de mercado: escolas de cursos preparatórios, editoras, sites e uma infinidade de materiais e formas de lucrar com esse interesse coletivo. Estima-se que o mercado do concurso movimenta uma quantia de 4 bilhões de reais por ano, só como exemplo, em 2008 a LFG foi comprada por 180 milhões de reais pelo grupo educacional Anhanguera. O que você acha desse novo mercado? É benéfico ou prejudicial para a população? E qual é a tendência, continuar crescendo ou tende a diminuir?

R: Ao estudar para concursos, o candidato está automaticamente se qualificando para trabalhar na iniciativa privada. Todos querem pessoas inteligentes, capazes de discernir e tomar boas decisões. Os diplomas são importantes, mas muito mais importante é o conhecimento. Os cursinhos são muito mais eficientes em ensinar, do que as velhas escolas voltadas para as chamadas de presença, exames periódicos, disciplina e outras amarras. A informalidade e objetividade dos cursinhos nos ensinam a resolver problemas de fato. Um amigo médico me apresentou o sistema pedagógico do MEDGRUPO, cursinho que prepara médicos para a prova de residência. O MEDGRUPO deveria ser estudado e servir de referência para todo o sistema educacional brasileiro. Eles são muito bons. São diretos, informais, motivadores, sensatos, objetivos e eficientes.


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Para finalizar, como você descreveria o cenário do Brasil nos próximos anos, com relação ao aspecto econômico e com relação às carreiras públicas e privadas, e qual o conselho você dá aos jovens que chegam ao mercado de trabalho todos os dias, como se preparar para se dar bem no futuro próximo?

R: Eu aconselharia os jovens a se preocuparem menos com os títulos e mais com o conhecimento. O Brasil está lotado de analfabetos funcionais. São pessoas graduadas, algumas, inclusive, com pós-graduação. Mas não sabem o elementar. Não sabem português, matemática e informática. Não estão preparados para os desafios do dia a dia. Uma pena. De 1980 a 2003, o Brasil viveu uma grande crise, reflexo de nossa grande dívida externa, resultado dos exagerados investimentos da DITADURA MILITAR e da nossa dependência do petróleo. Mas a partir de 2004 estamos vivendo um NOVO MILAGRE ECONÔMICO. A CHINA já é nossa maior compradora e está valorizando nossos produtos no mercado internacional. A população brasileira amadureceu e cobra responsabilidade dos políticos. A hora é de estudar e se preparar para os belos anos que nos aguardam. Mais detalhes sobre o promissor futuro do Brasil no meu site, UM BRASIL DE OPORTUNIDADES: http://sites.google.com/site/umbrasildeoportunidades



SapoiaPAULO CÉSAR PEREIRA (SAPOIA) - Engenheiro Civil, aprovado em 26 concursos, autor do site da TÉCNICA DO CHUTE, já teve mais de 4 milhões de visitas no YouTube.