Após a segunda guerra mundial, muitos países desenvolvidos por ela afetados, tiveram aumento significativo das demandas por serviços sociais, educacionais e de saúde; e por isso os servidores públicos, envolvidos justamente com o fornecimento de tais serviços, tornaram-se segmento valorizado dentro do mercado de trabalho.
Mesmo tendo havido medidas de redução do emprego públicos naqueles países nas últimas décadas, os quadros do funcionalismo público mantiveram-se estáveis ou cresceram.¹ No Brasil, em 1992, havia cerca de 7,5 milhões de empregos públicos até 1999, quando esse número cresceu para, aproximadamente, 7,9 milhões, sendo que a União e os Estados diminuíram o números de contratações e os municípios aumentaram as contratações para serviços básicos (professores de escola, enfermeiros, etc). Nosso país apresenta uma proporção de aproximadamente 11% entre emprego público e total de empregos no país, representando uma pequena dimensão do total de empregos quando comparado a países como Estados Unidos e Inglaterra.
Comparando dados brasileiros com os internacionais, observa-se que não há aqui servidores públicos em excesso, sendo que a maioria desempenha atividades dentro de prestação de serviços básicos à população, ainda mais com a descentralização dos serviços para os estados e municípios, o que acarreta na diminuição de funções burocráticas relacionadas à dilatação do funcionalismo. As marcas pejorativas que costumam ser associadas aos funcionários públicos, na verdade, referem-se somente a cargos administrativos, e não a funções básicas, como na educação e saúde.
O Brasil é extremamente carente em serviços básicos, a enorme quantidade de população carente sempre vai demandar serviços de saúde, educação, saneamento, etc; e é justamente nessas áreas que o emprego público cresce; porém muitas vezes de maneira precária.
1-Evolução do Emprego Público no Brasil nos Anos 90, Eneuton Dornellas Pessoa de Carvalho Filho. Instituto de Economia – Unicamp (doutorado)